Mesmo quem odeia a cidade elogia o céu, a amplitude… a possibilidade de ver o horizonte mesmo numa cidade de edifícios “altos” (é que o limite, no Plano Piloto, é de seis andares)… Tudo bem que a especulação imobiliária ameace cercar esse horizonte no setor Noroeste, daí Brasília provavelmente seja cercada por prédios e os moradores do fim da Asa Norte não poderão mais elucubrar da varanda de seus prédios enquanto vêem os carros subindo na altura do Posto Colorado.

Eu sempre me pergunto se aquela luz vermelha que eu vejo não é a do Posto, perto de onde ficam os motéis e, embora motéis sejam motéis, eles podem ser poéticos, não podem? Para mim, pelo menos, eles o são. Poéticos. Motéis… e aguço a vista  tentando imaginar se ali realmente está o posto. Não posso ter certeza porque sou uma desorientada na cidade-bússola e dispenso os binóculos porque eles trazem a precisão. E a poesia precisa da dúvida, mesmo quando seja uma dúvida só minha, porque qualquer ser humano normal, com o cérebro desenvolvido para a orientação espacial, poderia dizer se ali estão ou não os motéis…

E meu texto tomou um rumo totalmente diverso do que eu esperava. Eu nunca pensei que fosse refletir sobre motéis… Eu vim aqui reclamar da falta dos meus horizontes mentais (talvez seja por essa minha limitação mental que estou falando sobre motéis e nem me esforço em substituir a palavra ou evito repeti-la)… Estou cansada de Brasília, mas não me levem a mal, não é que eu desgoste da cidade. É a crise dos sete anos.