E não é que ela conseguiu?
Agosto 30, 2008

Semanas atrás postei sobre o Nome Próprio do Murilo Salles e que tinha gostado muito do filme, sobretudo da atuação da Leandra Leal, da fotografia noturna alternada com o pastel indoors etc. Pois bem, o filme do Salles foi premiado como o melhor desta 36ª edição do Festival de Gramado e a mocinha foi premiada como melhor atriz, está aí exibindo seu Kikito ao lado do Daniel Oliveira, melhor ator pelo A Festa da Menina Morta. A premiação foi umas duas semanas atrás, mas eu procrastinei pra só vir postar agora, porque o blog não é, ao contrário da personagem de Leal, o centro da minha vida…
Ah, aproveitei pra mudar o tema do blog, aquele era bem mortinho, acho que cansava a vista das pessoas. Só falta eu achar aqui um comando pra alterar a fonte, já que nem todo mundo tem idéia de apertar Ctrl + pra aumentar a letra da tela. No mais, minha ausência se explica porque a vidinha lá fora está tomando bastante do meu tempo, e até deveria ser assim mesmo. Desconfio muito de pessoas obcecadas pela Internet.
Nome próprio, o filme
Julho 19, 2008

Cheguei atrasada ao frisson virtual de Máquina de Pinball e estava alheia às expectativas que o filme do Murilo Salles (Nome Próprio) gera desde o ano passado, quando uma versão diferente da do cinema foi exibida pela primeira vez na Campus Party. Eu só sabia do nome da Clarah Averbuck, como um desses vários nomes de blogueiros (ela agora diz que não é blogueira, que é escritora… mas as coisas se excluem?) que viraram febre e foram mais bem-sucedidos do que a massa dos habitantes desta esfera. Como prometido a mim mesma na segunda, fui assistir ao filme tão logo ele estreou, ou seja, ontem mesmo. E aqui vêm os comentários…
Gostei do filme. Gostei muito. E não quero falar aqui da técnica cinematográfica, da qualidade artística e de todo aquele blablablá… Eu não gostei por causa disso. Gostei só porque faz sentido para o momento atual da minha vida. Eu também vivo uma fase blogueira (embora eu mais apague blogs do que os escreva, este aqui até está durando), gosto de refletir sobre a vaidade das pessoas em se tornarem escritoras num mundo em que mais se quer falar do que ouvir… Enfim…
A fotografia e a locação, passemos à técnica, estão coerentes com a proposta do filme. Nada de muito colorido, só as sandálias de plástico que ela arruma quando se muda. O resto é tom pastel ou azulado de apartamento de classe média baixa. Locação indoors, predominantemente. Bares e bares, com seus habitués estereotípicos, roqueiros de meia-idade, indies balzaquianos, patrocínio da Malboro, porque a Averbuck fumava Lucky Strike, pelo menos no Pinball…
Algumas inverossimilhanças: o aluguel do apartamento dela é pago por um leitor de seu blog, um adolescente nerdinho e bronheiro. Não ter lido Vida de Gato e não ter acompanhado o blog dela não me ajudam, mas eram papai e mamãe que, de Porto Alegre, bancavam as coisas, não? Ah, mas isso é um detalhezinho artístico pra dar comicidade à coisa. Eu acho que a única cena em que ri foi do nerds excitado com as fotos que acabara de tirar da Camila dormindo ali, totalmente disponível, em seu quarto.
Sobre as cenas de sexo, que alguém em outro blog diz terem sido desnecessárias, pra mim, foram inócuas. Tá, elas foram bem explícitas, mas isso não me constrangeu ou coisa do tipo. Cena pesada constrange, não é isso? Eu não sei mais o que pode me constranger numa sala de cinema.
Vozes em off. Gente, isso tá ultrapassado, mas mais ultrapassado é querer ser moderninho e fazer tudo diferente, né? Então, perdoados as vozes em off e os pensamentos drummondianos de Camila (“eu engoli uma pedra, tem uma pedra dentro de mim, eu engoli uma pedra”… ai!!!). O atonismo nos faz mesmo ficar presos aos mesmos pensamentos e, quem é apaixonado por palavras, adora se prender a elas e achar brilhantes até mesmo as coisas que pensa, digo isso pro caso de algum aspirante a escritor já ter achado que engoliu uma pedra, porque isso justificaria a repetição, que julgo crível.
Uma criticazinha pontual e inútil: por que a personagem do filme é brasiliense e não porto-alegrense? Porque é sem-graça ser roqueiro e falar com sotaque gaúcho? Sem-graça foi as duas brasilienses num bar carioca e a amiga dela falando, em pleno e orgulhoso sotaque dos pampas: “Um brinde ao esperrrma do francêSS”. Gaúchas ou brasilienses, afinal? E brasilienses por quê? Não tem vindo justo do sul boa parte desses escritores tão badalados na “nossa” geração (Pellizari, Galera, Nazarian…)? Ah… tinha que dizer logo que era gaúcha, poxa. Brasiliense só pra decorar o apartamento com uma planta da cidade.
Não sou cinéfila, não sou blogueira (acho que isso requereria mais auto-compromisso, e sou esporádica aqui), dou nota 2, de 5, pro filme (e gostei, mas é que sou pau-no-cu, o que está na moda, e não dou nota boa). Espero que você o assista e comente depois no seu blog, que eu ainda desconheço.