Engraçadinho
Setembro 20, 2009
POEMA ESCRITO POR ELE (o noivo):
Que feliz sou eu, meu amor!
Já, já estaremos casados,
o café da manhã na cama,
um bom suco e pão torrado
Com ovos bem mexidinhos
tudo pronto bem cedinho
depois irei pro trabalho
e você para o mercado
Daí você corre pra casa
rapidinho arruma tudo
e corre pro seu trabalho
para começar seu turno
Você sabe que de noite
gosto de jantar bem cedo
de ver você bem bonita
alegre e sorridente
Pela noite mini-séries
cineminha bem barato
nunca iremos ao shopping
nem a restaurantes caros
Você vai cozinhar pra mim
comidinhas bem caseiras
pois não sou dessas pessoas
que gosta de comer fora…
Voce não acha querida
que esses serão dias gloriosos?
Não se esqueça meu amor
que logo seremos esposos!
POEMA ESCRITO POR ELA (a noiva)
Que sincero, meu amor!
Que oportunas tuas palavras!
Esperas tanto de mim
que me sinto intimidada
Não sei fazer ovo mexido
como sua mãe adorada,
meu pão torrado se queima
de cozinha não sei nada!
Gosto muito de dormir,
até tarde, relaxada
ir ao shopping fazer compras
com a Mastercard dourada
Sair com minhas amigas,
comprar só roupa de marca
sapatos só exclusivos
e as lingeries mais caras
Pense bem,que ainda há tempo
a igreja não está paga
eu devolvo meu vestido
e você seu terno de gala
E domingo bem cedinho
pra começar a semana,
ponha aviso num jornal
com letras bem destacadas
HOMEM JOVEM E BONITO
PROCURA ESCRAVA BEM LERDA
POR QUE SUA EX-FUTURA ESPOSA
MANDOU ELE IR PRA MERDA!!!!!!
Máscaras – você usa
Setembro 1, 2009

Um tipo de pessoa de que não gosto é aquele que critica os mascarados: “Ah, odeio gente falsa, que mostra ser uma coisa quando é outra.” Outro tipo de que não gosto, claro, é do tipo de gente mascarada. Aí, de um modo ou de outro, eu não gosto de mim, seja porque falo mal dos mascarados, seja porque uma hora ou outra uso máscaras – aliás, como você!
E quando usamos máscaras? Digo que sempre. Às vezes é uma máscara fina, mais próxima dos contornos reais do nosso rosto. Em outras ocasiões é uma máscara espessa, enfeitada. Pode até ser, também, uma máscara mais feia que nosso rosto (quando nos odiamos nos comportamos como monstros que não somos de fato) – mas sempre há uma máscara.
O que me trouxe a todas essas reflexões dispensáveis além do ócio depois de uma longa, cansativa e pouco reconhecida jornada de trabalho?
Talvez o fato de que justamente no meu trabalho eu ando estressada demais e estou vendo a hora de dizerem que eu não sou boazinha como parecia ser. Afinal, me contrataram como uma pessoa “calma, organizada e equilibrada” e, nos últimos tempos, eu não ando assim. Mas será que era máscara que eu estava usando quando vendi essa imagem? E agora? Será que também não estou usando uma máscara de malvada e estressada para chamar atenção para demandas que considero justas?
Afinal, respondo que sempre usamos máscaras e que isso não é um problema – ora, não sejamos hipócritas: quem conhece o próprio rosto? Todo mundo usa máscaras o tempo todo: você jamais poderá ter certeza de que se viu no espelho.
Viva o baile de máscaras! A vida é um carnaval!
Luciana Avelino da Silva
Abril 25, 2009
Carmen Miranda não era flor que se cheirasse
Hitler era uma mulher que tomava hormônios para criar barba (especificamente, aquele bigodinho); Mussolini e Mao Tsé-Tung também eram mulheres (mas gostavam da cara e, no caso do Mao, também cabeça, limpinha) e Thatcher é lésbica e não gosta de transexuais.
A verdade segundo Luciana Avelino da Silva…
Anaïs Nin
Fevereiro 2, 2009
“I am an excitable person who only understands life lyrically, musically, in whom feelings are much stronger as reason. I am so thirsty for the marvelous that only the marvelous has power over me. Anything I can not transform into something marvelous, I let go. Reality doesn’t impress me. I only believe in intoxication, in ecstasy, and when ordinary life shackles me, I escape, one way or another. No more walls.”
Versos livres para uma alma aprisionada
Janeiro 29, 2009
E eu que pensei que meu mal era amar
Pior que amar é ser amada e não amar
Os deuses mortos não amam
Não amar é que é a morte
Hades não amava Perséfone
Triste consorte
Não amar é vaidade
É aceitar o culto do escravo
Porque a alma dói pela eternidade
Com o altar vazio e o incenso do amor apagado
Mas também é vaidade
Acordar uma deidade do seu sono sepulcral
Triste do mortal que rompe esse portal
Não atravessa os vales levando o candeeiro,
Buscando o amor inteiro
De quem dele não tem a menor parte
Tua luz não iluminará o que é opaco
Não obriga as coisas a mudarem sua natureza
Muda-te a ti mesmo e pergunta-te por que pensas ser mais fácil acordar os mortos
Do que acordar-te da ilusão
Lívia Milanez – uma vaidosa
Mundo perfeito – como começar bem o fim de semana
Setembro 6, 2008

Finalmente o melhor oráculo virtual, aquele que SÓ diz o que você quer e, ainda por cima, de forma personalizada: mocinhas que gostam de mocinhas, este oráculo não vai falar como é o homem de sua vida; rapazinhos que também gostam de rapazinhos, ele não vai prometer a mãe de seus filhos etc. Divertido para aquelas horas em que a gente navega à deriva…
E não é que ela conseguiu?
Agosto 30, 2008

Semanas atrás postei sobre o Nome Próprio do Murilo Salles e que tinha gostado muito do filme, sobretudo da atuação da Leandra Leal, da fotografia noturna alternada com o pastel indoors etc. Pois bem, o filme do Salles foi premiado como o melhor desta 36ª edição do Festival de Gramado e a mocinha foi premiada como melhor atriz, está aí exibindo seu Kikito ao lado do Daniel Oliveira, melhor ator pelo A Festa da Menina Morta. A premiação foi umas duas semanas atrás, mas eu procrastinei pra só vir postar agora, porque o blog não é, ao contrário da personagem de Leal, o centro da minha vida…
Ah, aproveitei pra mudar o tema do blog, aquele era bem mortinho, acho que cansava a vista das pessoas. Só falta eu achar aqui um comando pra alterar a fonte, já que nem todo mundo tem idéia de apertar Ctrl + pra aumentar a letra da tela. No mais, minha ausência se explica porque a vidinha lá fora está tomando bastante do meu tempo, e até deveria ser assim mesmo. Desconfio muito de pessoas obcecadas pela Internet.
Felicidade é a sensação de coerência
Agosto 11, 2008
Nome próprio, o filme
Julho 19, 2008

Cheguei atrasada ao frisson virtual de Máquina de Pinball e estava alheia às expectativas que o filme do Murilo Salles (Nome Próprio) gera desde o ano passado, quando uma versão diferente da do cinema foi exibida pela primeira vez na Campus Party. Eu só sabia do nome da Clarah Averbuck, como um desses vários nomes de blogueiros (ela agora diz que não é blogueira, que é escritora… mas as coisas se excluem?) que viraram febre e foram mais bem-sucedidos do que a massa dos habitantes desta esfera. Como prometido a mim mesma na segunda, fui assistir ao filme tão logo ele estreou, ou seja, ontem mesmo. E aqui vêm os comentários…
Gostei do filme. Gostei muito. E não quero falar aqui da técnica cinematográfica, da qualidade artística e de todo aquele blablablá… Eu não gostei por causa disso. Gostei só porque faz sentido para o momento atual da minha vida. Eu também vivo uma fase blogueira (embora eu mais apague blogs do que os escreva, este aqui até está durando), gosto de refletir sobre a vaidade das pessoas em se tornarem escritoras num mundo em que mais se quer falar do que ouvir… Enfim…
A fotografia e a locação, passemos à técnica, estão coerentes com a proposta do filme. Nada de muito colorido, só as sandálias de plástico que ela arruma quando se muda. O resto é tom pastel ou azulado de apartamento de classe média baixa. Locação indoors, predominantemente. Bares e bares, com seus habitués estereotípicos, roqueiros de meia-idade, indies balzaquianos, patrocínio da Malboro, porque a Averbuck fumava Lucky Strike, pelo menos no Pinball…
Algumas inverossimilhanças: o aluguel do apartamento dela é pago por um leitor de seu blog, um adolescente nerdinho e bronheiro. Não ter lido Vida de Gato e não ter acompanhado o blog dela não me ajudam, mas eram papai e mamãe que, de Porto Alegre, bancavam as coisas, não? Ah, mas isso é um detalhezinho artístico pra dar comicidade à coisa. Eu acho que a única cena em que ri foi do nerds excitado com as fotos que acabara de tirar da Camila dormindo ali, totalmente disponível, em seu quarto.
Sobre as cenas de sexo, que alguém em outro blog diz terem sido desnecessárias, pra mim, foram inócuas. Tá, elas foram bem explícitas, mas isso não me constrangeu ou coisa do tipo. Cena pesada constrange, não é isso? Eu não sei mais o que pode me constranger numa sala de cinema.
Vozes em off. Gente, isso tá ultrapassado, mas mais ultrapassado é querer ser moderninho e fazer tudo diferente, né? Então, perdoados as vozes em off e os pensamentos drummondianos de Camila (“eu engoli uma pedra, tem uma pedra dentro de mim, eu engoli uma pedra”… ai!!!). O atonismo nos faz mesmo ficar presos aos mesmos pensamentos e, quem é apaixonado por palavras, adora se prender a elas e achar brilhantes até mesmo as coisas que pensa, digo isso pro caso de algum aspirante a escritor já ter achado que engoliu uma pedra, porque isso justificaria a repetição, que julgo crível.
Uma criticazinha pontual e inútil: por que a personagem do filme é brasiliense e não porto-alegrense? Porque é sem-graça ser roqueiro e falar com sotaque gaúcho? Sem-graça foi as duas brasilienses num bar carioca e a amiga dela falando, em pleno e orgulhoso sotaque dos pampas: “Um brinde ao esperrrma do francêSS”. Gaúchas ou brasilienses, afinal? E brasilienses por quê? Não tem vindo justo do sul boa parte desses escritores tão badalados na “nossa” geração (Pellizari, Galera, Nazarian…)? Ah… tinha que dizer logo que era gaúcha, poxa. Brasiliense só pra decorar o apartamento com uma planta da cidade.
Não sou cinéfila, não sou blogueira (acho que isso requereria mais auto-compromisso, e sou esporádica aqui), dou nota 2, de 5, pro filme (e gostei, mas é que sou pau-no-cu, o que está na moda, e não dou nota boa). Espero que você o assista e comente depois no seu blog, que eu ainda desconheço.
Na cidade com Clarah Averbuck e as sinapses de adrenalina
Julho 17, 2008
Eu tinha tido idéia de escrever este post na segunda-feira, quando fui sozinha ao Casa Park ver filmes da Embracine. Tive que voltar de trem pela estação metroviária perto do Carrefour. Vi várias mulheres andando sozinhas na noite fria, provavelmente assustadas como eu, alvos fáceis, nós. Mas refleti que várias mulheres sozinhas formavam uma multidão, então, pra quê o medo? Tá, não resolve nadinha quando você tem que sair da CasaPark e atravessar um terrenão escuro até o Carrefour, depois, mais escuro até chegar à estação.
Agora minhas sensações perderam o frescor e talvez nem valesse a pena escrever aqui. Só registrar pensamentos esparsos, que tive no longo e tenebroso trajeto, como me prometer assistir ao Nome Próprio do Walter Salles, cujo trailer vi antes do filme que fui ver.
Esse Nome Próprio, com a Leandra Leal gordinha e de cabelo escuro (ou seja, antes de sair na capa dessas revistas femininas de dicas de emagrecimento), parece… parece que vai ser bom. Baseado nos três livros da Clarah Averbuck, pelo que li. Ela é bem criticada, por escrever “literatura de consumo”. Acho essas críticas vazias. Quer dizer que nós devemos trabalhar para sermos fracassados? Pelo que entendo, “literatura de consumo” é essa que vende mais e, ao que parece, critica-se que livros sejam vendidos, ao mesmo tempo em que se critica que eles não sejam lidos. Vai entender!!!!
Em todo caso, o que eu já sabia da Averbuck é que ela faz parte da “nova literatura brasileira”, entendamos por isso gente nascida a partir da década de 1970 e que anda publicando agora por sua casa de Balzac e que a Internet tinha impulsionado sua carreira literária, sobretudo por meio de blogs. Ontem fui tirar a limpo essa informação e aproveitei pra baixar um e-book do primeiro livro dela, o Máquina de Pinball. Acho que o mais válido são as referências à cultura musical. Ponto. Mais uma história de uma garota que quer se tornar escritora. Mas até que isso me atrai sempre. A mim e a muita gente, a julgar pela vendagem do tema.
Enfim… não pensei muito no Nome Próprio enquanto voltava pra casa. Eu estava com frio e com medo. Segundo um amigo, essa segunda-feira foi a noite mais fria do ano em Brasília. Eu ia caminhando e apenas lampejos de preocupações culturais faiscaram pra exercitar partes de meus neurônios, enquanto o resto se ocupava de sinapses com adrenalina. Noite fria. Gente medonha. Eu sozinha. Várias mulheres sozinhas, o que me tranqüilizava um pouco.
Na estação, fiquei com medo de ter ido pro lado errado, apesar de todas as placas, mas é que, como sou desorientada, corro sempre o risco de me perder, principalmente sozinha e em noites frias.
Lado certo. Sentado sozinho num canto, um homem suspeito. Suspeito e, portanto, talvez imaginando que eu fosse ter medo dele, mas o efeito surpresa pode jogar a nosso favor, então corri até ele e puxei conversa. Ele se assustou. Começamos a conversar. Ele era o único do mesmo lado que eu na estação, se me fizesse algo, eu teria que atravessar a linha amarela, cair no fosso, ficar sob um vagão (!) e, só então, escalar para atravessar e ficar com as pessoas do outro lado. Mas aí puxei papo e o homem era pintor.
Logo comecei a praticar em minha conversa com ele um hábito que tenho: o de tentar enriquecer minha vidinha sabendo o que os outros fazem. Sim, os outros, os anônimos. Suas vidas são tão mais interessantes do que imaginamos.
Ali, em minha conversa, informei-me da situação do mercado para pintores, soube os nomes de algumas técnicas de pintura em relevo e fiquei a par do fato de que ele estava a caminho da estação da 108 Sul para andar de lá até a 404 sul, onde cuidaria da decoração de uma loja de luminárias. A tarefa dele era alargar as pilastras utilizando gesso, criar uma superfície lisinha e, depois, pintar uma das colunas de preto e, a outra, de branco. Uma loja new rich.
Perguntei quais eram as perspectivas de crescimento no ramo. Ele respondeu que pintura em 3D era uma boa, que se o sujeito entendesse dos programas de informática, saía adiantado em relação aos concorrentes. Perguntei se ele mexia com Autocad e ele perguntou, de volta, se eu mexia com informática. Eu disse que não. Ele: como você sabe do Autocad. Eu: eu leio os anúncios de emprego, sempre exigem esse Autocad, aí eu fui ver o que era. Ele: mas com o que você trabalha? Constrangimento. Dizer pra ele que eu era uma recém-formada que pretendia se dar o luxo de apenas estudar por mais um semestre, sem trabalhar? Hmmm… eu… trabalho com… ciências humanas. Patético. Foram necessários quatro anos para me convencer dessa expressão (“ciências humanas”), que antes eu julgava oca e pretensiosa. Mas ele deve ter entendido que era medicina, fisioterapia, enfermagem, então eu era uma pessoa útil à sociedade e merecia respeito.
O homem continuou a conversar. Morava em Sobradinho, tinha uma filha em Águas Claras, almoçara com ela e gastara mais de trinta reais por uma simples refeição. Tudo era caro no DF. Aham, concordei. Olha, aqui é a 108 Sul. Ele se despediu esbaforido e se perdeu na noite fria e seca do deserto do Planalto Central.
A segunda.
Eu já tinha descido na Rodoviária e agora estava no meu inédito L2 Norte/ W3 Sul, Sul mesmo. Uma garota da minha idade, com o semblante mais feliz do mundo, cuidava de um tricot verde. Eu fiquei olhando, perdida nas entradas e saídas da agulha, quase em transe… Ela desceu na mesma parada que eu e, sei lá, meu Mercúrio estava ensandecido pelo mapa astral aquela noite, fui puxar conversa com ela até em casa, éramos duas mulheres sozinhas e amedrontadas por não serem número suficiente para formar uma multidão na noite fria, escura e deserta. Dicas de tricot. Quais as melhores revistas, as melhores técnicas para começar sozinho, os armarinhos mais próximos. Eu viro aqui. Eu fico aqui. Tchau. Tchau.
Como dizem nossos pais, a gente aprende muita coisa na rua.
