Frontispício, nefelibatismos e mais da última flor do Lácio
Setembro 23, 2009
Nunca tive a oportunidade de usar esta palavra (frontispício) e acho por bem criar uma ocasião para não desperdiçar a aprendizagem da língua.
Estava eu, Livia Drusilla, desesperada (novidade) com meus projetos quando uma palavra (sentença) de consolo me cai no colo ao acaso. Eu, como uma bibliomante (também nunca pude usar essa palavra), abria aleatoriamente o Culturas Híbridas do Canclini e lá estava no frontispício (aham!) do livro a seguinte citação (em espanhol, apesar do autor ter nome francês):
“La vida personal, la expresión, el conocimiento y la historia avanzam oblicuamente, y no directamente, hacia fines o hacia conceptos. Lo que se busca demasiado deliberadamente, no se consigue.” (Maurice Merleau-Ponty)
O que tenho eu procurado “demasiado deliberadamente”? Acho que nada, porque deliberar já demanda muita energia, então, quando delibero, já estou tão cansada que vou fazer outra coisa (descansar, dÂr!) em vez de procurar o que seja…
Para que este post pareça ter tido um propósito, ficamos neste ponto de consolação (ou de angústia): a vida é oblíqua, portanto, sigamo-la obliquamente. Ou será que seguir obliquamente o que é oblíquo é desviar ainda mais o caminho?