Frontispício, nefelibatismos e mais da última flor do Lácio
Setembro 23, 2009
Nunca tive a oportunidade de usar esta palavra (frontispício) e acho por bem criar uma ocasião para não desperdiçar a aprendizagem da língua.
Estava eu, Livia Drusilla, desesperada (novidade) com meus projetos quando uma palavra (sentença) de consolo me cai no colo ao acaso. Eu, como uma bibliomante (também nunca pude usar essa palavra), abria aleatoriamente o Culturas Híbridas do Canclini e lá estava no frontispício (aham!) do livro a seguinte citação (em espanhol, apesar do autor ter nome francês):
“La vida personal, la expresión, el conocimiento y la historia avanzam oblicuamente, y no directamente, hacia fines o hacia conceptos. Lo que se busca demasiado deliberadamente, no se consigue.” (Maurice Merleau-Ponty)
O que tenho eu procurado “demasiado deliberadamente”? Acho que nada, porque deliberar já demanda muita energia, então, quando delibero, já estou tão cansada que vou fazer outra coisa (descansar, dÂr!) em vez de procurar o que seja…
Para que este post pareça ter tido um propósito, ficamos neste ponto de consolação (ou de angústia): a vida é oblíqua, portanto, sigamo-la obliquamente. Ou será que seguir obliquamente o que é oblíquo é desviar ainda mais o caminho?
Engraçadinho
Setembro 20, 2009
POEMA ESCRITO POR ELE (o noivo):
Que feliz sou eu, meu amor!
Já, já estaremos casados,
o café da manhã na cama,
um bom suco e pão torrado
Com ovos bem mexidinhos
tudo pronto bem cedinho
depois irei pro trabalho
e você para o mercado
Daí você corre pra casa
rapidinho arruma tudo
e corre pro seu trabalho
para começar seu turno
Você sabe que de noite
gosto de jantar bem cedo
de ver você bem bonita
alegre e sorridente
Pela noite mini-séries
cineminha bem barato
nunca iremos ao shopping
nem a restaurantes caros
Você vai cozinhar pra mim
comidinhas bem caseiras
pois não sou dessas pessoas
que gosta de comer fora…
Voce não acha querida
que esses serão dias gloriosos?
Não se esqueça meu amor
que logo seremos esposos!
POEMA ESCRITO POR ELA (a noiva)
Que sincero, meu amor!
Que oportunas tuas palavras!
Esperas tanto de mim
que me sinto intimidada
Não sei fazer ovo mexido
como sua mãe adorada,
meu pão torrado se queima
de cozinha não sei nada!
Gosto muito de dormir,
até tarde, relaxada
ir ao shopping fazer compras
com a Mastercard dourada
Sair com minhas amigas,
comprar só roupa de marca
sapatos só exclusivos
e as lingeries mais caras
Pense bem,que ainda há tempo
a igreja não está paga
eu devolvo meu vestido
e você seu terno de gala
E domingo bem cedinho
pra começar a semana,
ponha aviso num jornal
com letras bem destacadas
HOMEM JOVEM E BONITO
PROCURA ESCRAVA BEM LERDA
POR QUE SUA EX-FUTURA ESPOSA
MANDOU ELE IR PRA MERDA!!!!!!
Máscaras – você usa
Setembro 1, 2009

Um tipo de pessoa de que não gosto é aquele que critica os mascarados: “Ah, odeio gente falsa, que mostra ser uma coisa quando é outra.” Outro tipo de que não gosto, claro, é do tipo de gente mascarada. Aí, de um modo ou de outro, eu não gosto de mim, seja porque falo mal dos mascarados, seja porque uma hora ou outra uso máscaras – aliás, como você!
E quando usamos máscaras? Digo que sempre. Às vezes é uma máscara fina, mais próxima dos contornos reais do nosso rosto. Em outras ocasiões é uma máscara espessa, enfeitada. Pode até ser, também, uma máscara mais feia que nosso rosto (quando nos odiamos nos comportamos como monstros que não somos de fato) – mas sempre há uma máscara.
O que me trouxe a todas essas reflexões dispensáveis além do ócio depois de uma longa, cansativa e pouco reconhecida jornada de trabalho?
Talvez o fato de que justamente no meu trabalho eu ando estressada demais e estou vendo a hora de dizerem que eu não sou boazinha como parecia ser. Afinal, me contrataram como uma pessoa “calma, organizada e equilibrada” e, nos últimos tempos, eu não ando assim. Mas será que era máscara que eu estava usando quando vendi essa imagem? E agora? Será que também não estou usando uma máscara de malvada e estressada para chamar atenção para demandas que considero justas?
Afinal, respondo que sempre usamos máscaras e que isso não é um problema – ora, não sejamos hipócritas: quem conhece o próprio rosto? Todo mundo usa máscaras o tempo todo: você jamais poderá ter certeza de que se viu no espelho.
Viva o baile de máscaras! A vida é um carnaval!