E eu que pensei que meu mal era amar

Pior que amar é ser amada e não amar

Os deuses mortos não amam

 

Não amar é que é a morte

Hades não amava Perséfone

Triste consorte

 

Não amar é vaidade

É aceitar o culto do escravo

Porque a alma dói pela eternidade

Com o altar vazio e o incenso do amor apagado

 

Mas também é vaidade

Acordar uma deidade do seu sono sepulcral

Triste do mortal que rompe esse portal

 

Não atravessa os vales levando o candeeiro,

Buscando o amor inteiro

De quem dele não tem a menor parte

 

Tua luz não iluminará o que é opaco

 

Não obriga as coisas a mudarem sua natureza

Muda-te a ti mesmo e pergunta-te por que pensas ser mais fácil acordar os mortos

Do que acordar-te da ilusão

 

Lívia Milanez – uma vaidosa

One Response to “Versos livres para uma alma aprisionada”


  1. O branco do leite reflete saciedade?
    E um espelho no fundo do pires?
    Alimenta sua vaidade?
    Consegue ver o negro de tua íris?
    Ou tem medo de ver alguma maldade?
    Motivo de minha cobiça, Osíris.
    Yin e Yang em uma mesma divindade.

    Armadilha bem planejada.
    Mesmo ao seu desapego material.
    Não poderia prender sua luz em uma redoma dourada.
    Mas já tenho minha luz artificial.

    Sou movido pela curiosidade
    É como botar fogo em pólvora
    Disparate de mocidade

    Que estejam todos cientes.
    Provado em pesquisas recentes.
    Seus sentimentos evanescentes.
    Possuem esta mesma propriedade.
    Move pedras com facilidade.
    Mas também podem destruir a humanidade.
    Vou cobrar patente.
    Sob minha nova deidade.

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