Já há algum tempo que sei da banda, duas violoncelistas e um bateirista que tocam um estilo unlabelled ora próximo ao folk, ora ao Led Zeppelin, ora… ora…

Descobri essas moças e o rapaz pelo Last.fm, que tem aquele recurso de linkar artistas “parecidos”. De Fiona Apple, cuja base é o piano em arranjos de um rock-jazz moderninho, passei para Regina Spektor (também baseada em piano), The Dresden Dolls (ibid) e… tadam… Rasputina. Qual será o critério Last.fm? Aquela história de “Os usuários que ouvem X também ouvem Y” talvez indique que o critério é meio o underground da coisa. Fiona Apple, Regina Spektor e The Dresden Dolls já estão até mais populares, perdendo os adeptos pseudocult e angariando as “massas”, mas Rasputina ainda é pouco mencionada aqui no Brasil.

Estive escutando aleatoriamente músicas de vários períodos e “baixei” (eita, pirata) o último CD delas, de 2007, o “Oh, Perilous World”. O que elas me lembraram? Alguma coisa meio hippie, meio vitoriana, ou seja, quanta disparidade reunida… Só queria mencionar essas moças (e o rapaz) porque a diferença que elas fazem, nisso de tentar colocar cello em um estilo que a vocalista queria transformar em rock (ela começou o grupo em 1992, com anúncios “Procura-se violoncelista para banda de rock”), realmente me transportou a novos “sentires” e gosto quando a arte, qualquer que seja a expressão, leva-nos a isso de repensar e ver as coisas sob outros ângulos.

Continuo na minha ondinha de ouvir grupos performáticos. Estas senhoras vestem-se em estilo gótico-medieval, TDD são aqueles do punk cabaret, a Spektor é sei lá porquê comparada à Amélie Poulain, a Mallu Magalhães quer ser a Juno… enfim. Continuo nesta fase musical histriônica e… estou gostando.

Eu posso ser uma dessas, você também pode ser mas, sem querer que pareça falta de modéstia, acho que não somos, a maioria de nós não é de fato aquele tipo que se destaca justamente por ser minoria. É aquela sua colega de trabalho fuxiqueira, sem noção… Aquele vizinho de quem ninguém gosta porque por tudo ele chama o síndico ou a polícia e sempre olha enviesado os casais de namorados que se abraçam em público (geralmente fala “que pouca vergonha”)… Aquela tia (ah, as tias, principalmente as solteiras) que odeia você sem nem saber por quê… Enfim… Não vamos para aquela parte politicamente correta de psicologia de livro cristão que diz pra você tentar entender “o outro”, por que essas pobres pessoas são assim. Essa parte é muito chata e você, tentando explicar o porquê de o outro ser como é, vai acabar se culpando por ele ser assim e corre o risco de se tornar pior do que ele e o mundo também vai piorar, com tantas pessoas cheias de culpa tentando consertar o que não tem conserto.

Portanto, ponto 1: admitamos, não somos onipotentes e não podemos mudar tudo, principalmente os outros. Ponto 2: as pessoas são diferentes, isso é até bom (diversidade não é das coisas politicamente corretas?),  e, se elas são diferentes, existe gente adequada ao convívio social e gente inadequada – são estas, muitas vezes, as tais pessoas difíceis.

Estou escrevendo este post que reflete uma angústia universal preocupada com uma angústia pessoal, daí ele estar tão truncado, confuso, raivoso, mal escrito.

Estou pensando numa pessoa com quem preciso conviver e cujas mentiras e incoerências já me causam nojo, principalmente porque é uma velha carola que vive recitando a Bíblia e vivendo exatamente o contrário do que tem decorado. Estava agora há pouco fazendo um discurso apaixonadíssimo sobre não mentir, porque mentir é coisa do diabo e o diabo é sujo, ela lê a Bíblia todos os dias justamente pra não ser alvo do inimigo e vive segundo a Palavra de Deus. Aleluia! Só faltou passar a sacolinha de oferta… Mulher porca, nojenta. Vive mentindo e prega essas coisas.

Contorcendo meu estômago ao escutar o sermão por alto, pensei: “Essa mulher só pode sofrer muito e se condenar bastante por saber que vive escorregando justamente na lama que condena”. Depois: “Não, talvez nem sofra, talvez ela consiga mentir pra si mesma e pensar que não mente, não peca, do jeitinho que prega. Se ela consegue isso, mentir pra si própria, ou é louca ou não tem mais um pingo da dignidade da culpa (sim, a culpa tem lá suas vantagens, é um bom freio moral, mas precisa ser moderado)”.

Não sei por quê, mas esses pensamentos me tranqüilizaram tanto que eu quis compartilhá-los. rssss